sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

A INFÂNCIA DIFÍCIL E A MUDANÇA DE VIDA DA JOIA DA BASE TRICOLOR QUE DESPERTOU O INTERESSE DO LIVERPOOL E DO SÃO PAULO


Uma das grandes promessas da base do Fluminense, na mira de clubes como Liverpool e São Paulo, Wallace precisou passar por um longo e tortuoso caminho para chegar a Xerém e mostrar o seu talento. O meia, ainda criança, sofreu com a perda do pai e a prisão da mãe. Precisou ser criado pela avó paterna.

Wallace é de Tanguá, na Região Metropolitana do Rio. A cidade tem o quarto pior PIB do estado, segundo o IBGE. Estima-se que só 12,3% dos 34.309 habitantes tenham alguma ocupação. Seus pais viram no tráfico o caminho. O pai foi assassinado a dez metros do portão de casa quando o jogador tinha apenas três anos de idade.

“Minha mãe foi presa logo depois. Aí fiquei sem ninguém. Só eu e minha avó” conta Dáblio, apelido do meia de 18 anos do sub-20 tricolor.

Criado pela avó Margarida, Wallace viu sua vida mudar quando conheceu Igor Manhães, treinador de futebol, que trabalhava num projeto social na cidade.

“Não sei se Papai do céu disse ‘aparece’. Mas fato é que eu apareci na vida dele. E consegui dar um caminho bom. Se pensar na estrutura que ele tinha antes, poderia ter dado tudo errado. E tem ainda aquela questão que falam do sangue. Mas conseguimos dar toda ajuda. A família, as pessoas em volta, o clube…” conta Manhães, que abrigou Wallace ainda criança em sua casa e ocupou a figura de pai em sua vida.

Com um pai treinador, o futebol virou uma opção natural. Seus primeiros chutes foram no Profute, de Itaboraí. Até que, num amistoso, chamou a atenção do Fluminense. Há sete anos em Xerém, o meia de velocidade já acumulou elogios, títulos e passagens pelas seleções de base.

Foi este sucesso que o fez quase sair dos trilhos em 2016, ano marcado pelo deslumbramento e por muitas brigas tanto dentro quanto fora de campo. Não gostava de ser repreendido nos treinos: atirava o colete na grama e saía xingando. Uma rebeldia que só foi controlada quando Manhães, comissão técnica da base e até a psicóloga do Fluminense entraram em cena.

“Deixei subir à cabeça. Todo mundo puxou minha orelha, porque só fazia merda. Era brigão, problemático. Vi que estava errado e me prejudicando”, diz Dáblio.

Agora, com a cabeça no lugar, é um dos destaques da base, chamando a atenção do Liverpool e do São Paulo. O clube paulista, inclusive, passou a ter a prioridade na sua compra em troca do empréstimo de Hudson ao Fluminense.

Fonte: O Globo

Foto: Mailson Santana – FFC

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