sábado, 28 de setembro de 2019

PAPO R14: RAFAEL FAGIANI, O CEARENSE QUE FOI ESTUDAR NOS EUA, VIROU JOGADOR E HOJE É SALES MANAGER EM GRANDE EMPRESA AMERICANA


Não é incomum o desejo de morar, estudar e trabalhar fora do país em uma situação que te deixe próximo de suas paixões, ainda mais se for nos Estados Unidos, destino preferido dos turistas e o maior mercado esportivo do mundo. Um desses casos é o do brasileiro Rafael Fagiani, nascido em Fortaleza que foi estudar nos Estados Unidos, se tornou jogador e hoje é Sales Manager de uma grande empresa norte americana.


Como jogador registrou números impressionantes dentro de campo e se tornou um dos poucos brasileiros a conquistar entre 2011 a 2013 os títulos de Campeão do Estado, Campeão do Distrito e acessos aos nacionais no futebol universitário pela Universidade Iowa Western Community College que fica no norte dos EUA.


O sucesso na equipe de futebol da Universidade lhe deu bolsa integral para estudar administração na Universidade do Alabama, chegou a jogar a 2ª Divisão Profissional da Liga Norte-Americana de Futebol, a NASL (North American Soccer League).


Rafael mora na Florida e está casado com a americana Rebekah Kay Fagiani que é professora e treinadora. Formado em Administração de empresas pela Universidade de Iowa, ele está se especializando em Comércio Exterior por uma Universidade na Florida.


BATE BOLA COM RAFAEL FAGIANI:

Como foi o processo para você ir estudar e jogar nos EUA?

Eu estava no Brasil bem frustrado com o futebol e ouvi falar de um amigo que iria participar de um processo seletivo para estudar e jogar futebol nos EUA. Eu não estava muito interessado, mas sempre tive pessoas ao meu lado que acreditavam no meu potencial como, minha família e o professor Ronaldo Lima, que na época tinha o projeto atleta nota 10. Minha mãe me convenceu a fazer uma seletiva no Rio de Janeiro. Fui muito bem nos jogos, o que despertou o interesse de 9 universidades americanas. A partir dai, cresceu a vontade da minha parte, tranquei a faculdade e me dediquei 1 ano somente ao inglês, pois teria que ir bem nos testes. Depois de fazer as provas, tomei a opção por uma universidade em Iowa, Norte dos EUA, pelo fato de a estrutura da universidade ser muito boa e o time de futebol estava em ascendência.


Quais as dificuldades encontradas e superadas nesse período de estudo e trabalho nos EUA?

Primeiro queria ressaltar Deus. Sem ele eu não teria chegado aqui nem continuado, ele fez coisas tremendas e milagres enquanto estava nos EUA que eu poderia ate escrever um livro sobre isso. Quando cheguei nos EUA, vi que teria que me esforçar muito. A comida era diferente, e a cultura também. Na época tinha uma namorada que na verdade era uma pessoa maravilhosa, mas a saudade de tudo, so fazia dificultar mais ainda. O clima era bem quente e seco, pois era o fim do verão, e já no inverno muito frio. Mas no fim de tudo, eu estava em impressionado com toda a estrutura e suporte que eles me deram. Quando ao futebol, infelizmente me machuquei na pré-temporada, desapontando muito meu treinador. Essa lesão me fez querer desistir, pois quando me recuperei não estava tendo chance e tinha que recuperar a confiança. Nessa época minha família foi muito importante, porque tudo que eu queria era voltar para o Brasil. As palavras de encorajamento me fortaleceram muito. Para resumir, consegui minha vaga no time de volta, tive a oportunidade de marcar um dos gols mais importantes que levou minha equipe aos nacionais, e ter um ano maravilhoso aonde colecionei títulos na primeira temporada. No meu segundo semestre eu decidi me mudar para um prédio da faculdade aonde não tinha brasileiros, pois lá poderia trabalhar e melhorar meu inglês. Depois do meu primeiro ano, surgiu interesse de outra Universidade no Alabama, aonde consegui bolsa de 100% e ajudar meus pais financeiramente.


O que ti levou a abrir do esporte e se dedicar totalmente ao teu trabalho?

Aqui nos EUA você tem várias oportunidades, tanto profissionalmente quanto no esporte. Depois dos meus 4 anos eu tinha como objetivo de dar um tempo no futebol e crescer profissionalmente. Tive a oportunidade de jogar divisões menores, mas meu foco estava no trabalho e não queria mais arriscar porque eu estava prestes a casar. O futebol me deu tudo aqui, mas vi que era hora de investir em uma outra área da minha vida que eu tinha certeza que iria ser melhor para mim e para minha família.

Qual a importância da sua família no teu processo de crescimento pessoal e profissional?

Quando falei para minha família que iria focar no meu trabalho, eles me apoiaram completamente. Minha esposa, que conheci na faculdade, foi uma das pessoas que mais me ajudou e me apoiou em minhas decisões. Hoje meu inglês e fluente e estou muito satisfeito com as decisões que tomei.


Hoje está mais fácil o garoto ir estudar e jogar nos EUA do que na sua época?

Hoje existem muitas empresas que ajudam garotos a vir estudar e jogar aqui nos EUA. Com certeza está mais fácil, mas tudo vai depender de você mesmo, como vai lidar com a cultura, tem também o financeiro que pesa muito, ate mesmo pelo fato de o dólar este bem alto, mas no final de tudo, informação é o que não falta, então depende do seu esforço. Mas eu diria que os principais seriam, foco no esporte e na língua.


Quais os requisitos que o garoto brasileiro precisa para estudar e jogar numa grande universidade americana?

Existem vários requisitos quanto ao futebol. O futebol nos EUA cresceu muito, e aquela mentalidade de que o Brasileiro vai chegar aqui já jogando não existe mais. Existem varias universidades de baixo nível que aceitam qualquer jogador, mas uma de bom conceito o atleta tem ser muito focado fisicamente e tecnicamente e ter um bom inglês.


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