domingo, 7 de abril de 2019

JUDÔ É USADO PARA AUXILIAR TRATAMENTO DE CRIANÇAS AUTISTAS E COM TDAH NO RIO DE JANEIRO


Aos 8 anos, o menino Wantuir Jacini escolheu trilhar os caminhos do judô para escapar do bulliyng praticado por colegas de escola.

“Nunca precisei revidar o tapa ou o soco. Mas o judô deu a confiança que faltava para dizer ‘chega’. Parei de apanhar e me apaixonei pela atividade”, lembra.

Nas estradas que trilhou por Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso, acabou chegando à faixa preta antes de se formar em Educação Física. Ele só não imaginava que o esporte e a carreira profissional se cruzariam. Percebeu isso quando passou a atender alunos autistas e com transtorno de déficit de atenção (TDAH). Aos 35 anos, escolheu o judô como direção a seguir.

Como professor de educação física, especializado em fisiologia do esporte, Wantuir acabou cruzando também com a área da psicologia infantil. Focou os estudos nas manifestações comportamentais de problemas de saúde como o autismo, TDAH, bipolaridade e outras síndromes.

“Todos eles, de alguma forma, tinham alterações cerebrais que poderiam ser melhoradas ou desenvolvidas com a prática de judô, conforme eu tinha constatado na elaboração do mestrado”, lembra.

Há quase 6 anos, Wantuir Júnior aceitou o desafio de ingressar na equipe do Instituto Priorit, organização do Rio de Janeiro que foca não só no tratamento médico, mas também o acolhimento global de crianças e adolescentes autistas, bipolares e com TDAH.

No total, já são 13 meninos e meninas que, duas vezes por semana, recebem os ensinamentos de Wantuir. Três deles têm déficit de atenção, dois são autistas, um é bipolar, um têm Síndrome de Asperger e o restante algum problema de relacionamento social.

“O objetivo da aula é garantir a autoconfiança, despertar a autonomia e mostrar aos meninos que eles podem ser o que quiserem”.

Rafael Biachels de Oliveira, 16 anos, tem TDAH e foi o primeiro aluno de Wantuir. Ele diz que as aulas deram não só mais consciência do próprio corpo – “antes eu andava e derrubava tudo, agora parece que sei melhor o espaço que ocupo”, diz – como ajudaram a definir o foco nos sonhos.

“É ano de vestibular e a minha ideia é tentar entrar em medicina”, diz.

Talvez seja só coincidência. Mas quando escolheu trilhar a rota judoca para o autismo, o TDAH e os outros transtornos infantis, o educador físico fez jus ao significado da palavra judô: “caminho suave”.

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