A autonomia infantil é algo
que todos nós, adultos, nos preocupamos em um determinado grau. Afinal, nada
mais importante que a independência de nossas crianças em atividades
rotineiras. A situação pede mais cautela quando os pequenos convivem com o
Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O que fazer então para
estimular o aspecto autônomo neles? A dica de hoje do nosso artigo vem com essa
proposta: levar a pais e profissionais os meios que podem e devem ser seguidos
a fim de possibilitar o desenvolvimento de funções executivas dos baixinhos.
Por que a autonomia infantil
requer mais atenção nesses casos?
A criança com TEA precisa ser
assistida de forma mais efetiva, pois os fatores existentes em sua vida abrem
espaços para situações que evidenciam desafios cotidianos. Os pequenos costumam
apresentar problemas de aspecto sensorial, atos repetitivos, estereotipados,
além de atrasos na comunicação que restringem o desenvolvimento de habilidades
que serão essenciais para autonomia.
Importante apontar um dado que
faz toda a diferença. Estima-se que de 40-50% das crianças diagnosticadas com
TEA apresentem a Deficiência Intelectual (DI), responsável por intensificar de
forma considerável a sua dependência para quaisquer tipos de atividades, sejam
elas rotineiras ou não.
Qual o primeiro passo para
promover a autonomia infantil no autismo?
É imprescindível que saibamos
o primeiro passo em busca do desenvolvimento da criança. O diagnóstico precoce
é o caminho mais indicado mais começar a promover as intervenções necessárias
para os pequenos.
A partir desse contato com o
médico, os sintomas do TEA, que implicam em atrasos de desenvolvimento e nos
comportamentos, tendem a ser trabalhados de maneira intensa. Vale lembrar que
quanto mais tarde as intervenções ocorrerem, mais atrasada ficará a correção de
habilidades ainda não atingidas por esta criança. Além disso, mais estreita
fica a aquisição de novas habilidades para se adaptar a desafios sociais do
meio.
Redução de sintomas e
estereotipias
Após as orientações
profissionais, é chegada a hora de ajudar esta criança na redução de suas
estereotipias e ecolalias. Auxiliá-la na construção de ações e formas de
comunicação mais funcionais, com objetivo social e contextual também é uma
maneira de induzir a autonomia infantil. Gradualmente, deve-se interromper os
comportamentos repetitivos e desviar a atenção do pequeno para situações
sequenciais e para tarefas que envolvem o cumprimento de rotinas e regras do
cotidiano, além do compartilhamento de experiências.
Despertando memórias com
recursos adequados
Importante ressaltar que a
utilização de figuras, desenhos e fotos (o recurso de photovoice, por exemplo)
como instrumentos visuais de comunicação tendem a facilitar de forma
considerável o acesso da criança à aprendizagem, tanto de sequências como da
compreensão de rotinas e conceitos.
Vale ressaltar que crianças
com autismo costumam apresentar excelente memória para questões rotineiras,
principalmente quando elas aprendem algo pelo sentido visual. Os pequenos podem
adquirir a capacidade autônoma de cumpri-las com maior assertividade.
Estimulando a autonomia
infantil através da ABA
A Análise do Comportamento
Aplicada, muito conhecida pela sigla ABA, constitui-se como uma área de
conhecimento cujo objetivo é o desenvolvimento de pesquisas e aplicações a
partir dos princípios básicos da ciência da análise do comportamento.
O objetivo da ABA é uma
abordagem que estimula os comportamentos desejáveis e redução dos
comportamentos indesejáveis em crianças que demonstram atrasos, especialmente
quando essa condição tem sua origem no TEA.
O papel da escola no
desenvolvimento da criança
O ambiente escolar tem a
prerrogativa de trabalhar a socialização da criança com os demais coleguinhas.
Além de aspectos como interação social e comunicação serem trabalhados com
eficácia, outro item a ser desempenhado pelo pequeno é a memorização de várias
situações que tendem a incentivar sua autonomia.
Fonte: Instituto NeuroSaber
Foto: Reprodução